TRATAMENTO MULTIDICIPLINAR:
O tratamento Ortodôntico tem sido entendido pela população em geral e até por
profissionais da área de saúde como um alinhamento dos dente ou uma melhora estética
na posição dos dentes, mas é muito mais do que isso. Sabe-se que função e estética
sempre andam juntas. Quando melhoramos a função melhoramos também a estética e
vice-versa. Dessa forma resolvendo a queixa principal do paciente devemos dar
condição para que o sistema estomatognático possa realizar a função mastigatória,
respiratória e fonoarticulatória adequadamente.
O tratamento ortodôntico bem sucedido é aquele que mantém-se estável ao longo do
tempo. Para que haja esta estabilidade é necessário que todas as funções estejam
adequadas, isto é, nariz e boca devem funcionar cada um em sua função. Boca
funcionando como nariz na respiração bucal, é com um atacante jogando na defesa,
vai render menos e causar prejuízo ao time.
É mais comum o paciente procurar tratamento porque está insatisfeito com a estética
do que estar sendo incomodado pela função ou por alguma conseqüência desta, embora a
respiração cause inúmeros problemas além da mau posicionamento dentário. Dessa forma
o Ortodontista torna-se importante no tratamento da Respiração bucal, cabendo a ele o
diagnóstico inicial e o encaminhamento para o Otorrino ou Otorrinopediatra. E a estes
cabe o diagnóstico preciso: obstrução da via aérea (pólipo, adenóide, rinite, etc) ou
hábito. Se for obstrução o Otorrino dispõe dos meios para tratamento medicamentoso ou
cirúrgico. Se for hábito o paciente será encaminhado para Fonoaudióiloga, Fisioterapeuta
e Psicóloga, de acordo com outros fatores envolvidos.
Os médico Pediatras e Clínicos Gerais também tem um papel importante na detecção inicial
de um respiração bucal, função inadequada da língua durante a fala e deglutição.
O tratamento Ortodôntico só terá sucesso ao longo do tempo se todas as funções forem
normalizadas. Cada jogador jogando na função em que está mais apto.
Os dentes permanecem em posição por equilíbrio de forças internas e externas da boca.
No paciente respirador bucal a língua deixa de fazer pressão na parte interna da arcada
superior, os lábios não pressionam a parte externa dos dentes anteriores enquanto a força
da bochecha permanece inalterada. As conseqüências desse desequilíbrio podem ser uma
atresia arcada superior com mordida aberta anterior e mordida cruzada posterior,
condição de difícil tratamento após cessado o crescimento facial.
Para tratar o paciente como um todo necessitamos desta inter-relação entre todas as
áreas afins onde cada especialidade pode contribuir com as demais. Um exemplo disso
são os inúmeros trabalhos publicados que demonstra que a expansão rápida da maxila
aumenta em 18 % a passagem de ar na fossa nasal, contribuindo para a melhora da
respiração e do tratamento instituído pelo Otorrino.